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sexta-feira, 1 de maio de 2009

Um misto de delicadeza e qualidade

Por Laís Sampaio

A noite da quinta-feira do 13° Cine PE, foi com certeza a de maior público durante o decorrer da semana e de melhor qualidade visual quanto aos curtas e longas apresentados.

Por uma falta de organização, o festival atrasou na programação e deu início em torno das 20h. Logo tivemos a premiação ao homenageado da noite, o cineasta Roberto Farias.

Roberto sempre teve em sua vida uma paixão pela sétima arte. Trilhou em seu caminho cerca de 10 filmes como assistente de direção e produção até estrear como diretor em 1957, com o Rico Ri à Toa. Mas sua “fama” aconteceu ao filmar a trilogia de filmes com Roberto Carlos: Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1968), Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-Rosa (1970) e Roberto Carlos a 300 Quilômetros por Hora (1971). Além do mais, Roberto foi presidente do Sindicato Nacional da Indústria Cinematográfica e o primeiro cineasta a dirigir a Embrafilme.

Durante a premiação, Roberto Farias comentou o valor do cinema brasileiro e de todos os cineastas que acendem essa qualidade, dentre eles, Glauber Rocha e Luís Carlos Barreto, e também da importância que é receber o Troféu Calunga e do reconhecimento do Festival perante aos cineastas brasileiros. O prêmio foi entregue pelas mãos do cineasta Luís Carlos Barreto, homenageado pelo Cine PE no ano anterior.

Na Mostra Competitiva de Curtas Digitais e em 35MM, dentre os 5 apresentados, o “Os Sapatos de Aristeu” (Luiz René Guerra – SP), o “SuperBarroco” (Renata Pinheiro – PE) e o “Nós Somos um Poema” (Sergio Sbragia e Beth Formaggini – RJ), se destacaram por uma qualidade completa (fotografia, temática, produção, elenco) que estava realmente faltando no festival.

Os Sapatos de Aristeu, já apresentado no Festival Janela Internacional de Cinema do Recife, é de grande sensibilidade de construção visual. Todo em preto e branco, o curta retrata uma situação de debate, como a sexualidade e a morte. Ainda mais, juntas. Porém, com um misto de simplicidade, perdão, família e sociedade. Contudo, nos leva a uma reflexão na qual até que certo ponto, aceitamos as diferenças e os preconceitos de ter que viver uma “vida feliz” longe do local familiar. Por meio de um sapato, o ato simbólico de sua opção sexual, Aristeu foi enterrado juntamente a um terno, quebrando dogmas e conceitos herdados.

SuperBarroco, quebra a trilha do desejo e entra em forma de sonho. Um jogo de projeções, cores, imaginação, sentimento. A cada sequência do curta, ideias vão surgindo. A narrativa é pequena, mas a expressão é enorme. Caminho de solidão, um corpo presente se torna ausente. Extremos que se encontram da forma mais barroca do curta-metragem contemporâneo.

Que essa pérola chegue ao Festival de Cannes!

Nós somos um poema, é o documentário de encaixe perfeito da história da Música Popular Brasileira. O encontro de Vinícius de Moraes e Pixinguinha para compor a trilha sonora do filme de Alex Viany, Sol sobre a Lama (1963). Depoimentos, imagens de arquivo, com participações de convidados ilustres e versões de plenitude sonora de Elza Soares, Céu, Jards Macalé e entre outros.

Muito delicada a quarta noite do Cine PE. Que assim seja para melhor!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Teresa emana delicadeza

Por Lorena Tabosa

Sutileza. Talvez essa seja uma boa definição para Teresa, curta-metragem exibido ontem no Cine-PE Festival do Audiovisual.

O filme, dirigido por Renata Terra e Paula Szutan, encontra seu início em um belo par de olhos verdes. Logo descobrimos que este pertence a Teresa, uma moça de Minas Gerais que veio a São Paulo atrás do noivo, João, e do casamento.

Teresa é o que chamamos, convencionalmente, de romântica. E o romantismo, na maioria das vezes, leva à ingenuidade. Este é justamente o caso.

Apesar disso, e , provavelmente, por conta disso, o curta é de uma delicadeza iminente. Iluminação, tomadas em ângulos estratégicos e a "carinha de anjo" da atriz também contribuem de forma incisiva com tal impressão.

O ponto alto da história reside no fato de que, mesmo após se dar conta de que João não virá buscá-la na rodoviária, a esperança de Teresa permanece intacta, assim como seu ritual diário.


Todos os dias pede licença do trabalho, na lanchonete do próprio terminal, vai até o banheiro e se põe em frente ao espelho. Solta os cabelos, veste o casaco (que deve ser o predileto de João) e passa seu batom vermelho nos lábios, com uma expressão de quem nunca se cansa de esperar.

MURO chega consagrado


Por Elizabete Tavares

MURO (PE) de Tião (Bruno Bezerra) chegou consagrado na noite de terça-feira ao Cine-PE após ganhar o prêmio Regard Neuf (Olhar Novo) da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2008. Filmado em Serra Talhada, sertão de Pernambuco, conta com boa fotografia e som. Não é fácil de explicar e é um exercício para os espectadores, pois não passa um sentindo “logo de cara” e deixa espaço para várias indagações e interpretações. Copos de vidro dançando sobre uma mesa, mulher enterrada no chão, um grupo de crianças apostando corrida, homens “encostados” em um muro, homens de terno correndo, um homem meio desmaiado que balbucia algumas palavras... Os diversos “núcleos narrativos” se entrelaçam e por fim se unem pelo sentimento. Ao fim da exibição o público ficou dividido entre entender, não entender, se chocar, indagar, adorar, detestar. Aproveitando que tive oportunidade de conversar com Tião, fiz uma rápida entrevista na tentativa de esclarecer seu ponto de vista e inspirações.

Elizabete: Como surgiu a inspiração para fazer o curta?

Tião: A ideia do filme foi uma das primeiras que eu tive. Ela partiu do Muro, da cena do Muro. Daí fui pensando um pouco em o que é que fazia as coisas estarem ali... E em algumas situações que falavam um pouco sobre isso. Situações que se ligavam pelo clima, pelos temas... Aí depois que eu tive essa ideia, sempre anotei outras no caderno, algumas relacionadas com foto e instalação. Eram ideias para mídias diferentes que depois quando vi se encaixavam e pareciam que todas tinham nascido umas para as outras. Depois disso passei a trabalhar no roteiro em cima de todas elas juntas.

Elizabete: Do surgimento da ideia inicial até à concretização demorou muito?

Tião:
Da primeira ideia até o fim... 5 anos. Foi um processo intercalado com Eisenstein, meu outro curta onde dividi a direção com Raul Luna e Leonardo Lacca, e também com minha faculdade de Jornalismo que estou terminando agora.

Elizabete: Em que se baseia MURO?

Tião: Não sei falar assim qual é a história... Eu defino Muro como alma no vácuo deserto em expansão. Ideias separadas que se uniram pelo sentimento. Ele fala de várias coisas e algumas histórias que são separadas e acabam se unindo às vezes não narrativamente, mas pelo sentimento mesmo e pelo que falam.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Eiffel provoca reflexão em 2ª noite de Cine-PE


Por Elizabete Tavares

Na noite de ontem um dos curtas mais esperados foi o experimental Eiffel, do jornalista e crítico de cinema pernambucano Luiz Joaquim, que trouxe reflexões de política, estética e arquitetura; traçando um paralelo entre a harmonia da torre Eiffel, cartão postal de Paris, e a desarmonia das torres residenciais gêmeas do Cais de Santa Rita, que destoam completamente da arquitetura onde estão localizadas.

“Ano passado (2008), revendo Os Incompreendidos , de François Truffaut, pensei que seria muito interessante se eu pudesse fazer no Recife o que ele fez com Paris homenageando a Torre Eiffel, um belíssimo ícone da cidade, enfim, um símbolo, pensei: será que a gente não tem um símbolo aqui no Recife que podia fazer isso? E não cheguei a nenhuma conclusão. Depois, pensei que temos um símbolo, mas por um motivo oposto, na verdade, uma negação do que é de bom gosto no sentido da estética. Um “ monumento” que já tinha criado uma grande polêmica velada: as torres residências gêmeas do Cais de Santa Rita”, disse Luiz Joaquim, em entrevista concedida ao Cineclube Revezes.

Assim como na abertura do filme Os Incompreendidos, onde a câmera percorre Paris observando de longe a Torre Eiffel, as “ Torres Gêmeas recifenses” foram filmadas de diversos ângulos fazendo uma crônica onde a música ajuda a acentuar e ilustrar as imagens.

Apesar de simples e curto, Eiffel passa bem “seu recado” e chama atenção das pessoas para esse assunto relevante, “ brinca” com seriedade e encerra com uma frase provocante: Cada lugar tem o monumento que merece!

Curtas do cotidiano urbano

Por Laís Sampaio

Um pequeno momento de prazer que representa um longa. Quase isso é a proposta dos curtas no Cine PE. A noite da terça-feira foi marcada de curtas com passagens do dia-a-dia na Mostra Competitiva de Curtas Digitais e em 35MM.

Selos, de Gracielly Dias (CE), é repleto de metáforas quanto à história de um menino de família humilde que com a ajuda do carteiro coleciona selos, mas que ao descobrir o caso de sua irmã com o seu “ajudante a colecionador”, bloqueia seus sentimentos e coloca um ponto final nessa viajem ao mundo.

6.5 Megapixels, de Michelline Helena, Gláucia Soares e Janaina de Paula (CE), relata sucintamente por um postal em preto e branco (a verdadeira imagem da cidade), o boletim de ocorrência depois de um roubo da câmera fotográfica de 6.5 megapixels em uma praia turística de Fortaleza. Simples, porém esteticamente cinematográfico. O diálogo é produzido pela própria diretora do curta digital e foi feito para seu curso de especialização.

Distração de Ivan, de Cavi Borges e Gustavo Melo (RJ), que é uma parceria com o grupo coletivo Nós do Morro (RJ) mostrou que a produção da sétima arte “engrandece” com uma participação global (o ator André Gonçalves faz uma pequena aparição) do eixo Rio-São Paulo e narra a observação de Ivan com os dias em seu bairro. De boa fotografia, o curta mostra fatos reais de uma visão infantil perante o mundo de hoje.

Um pequeno clichê, mas curta o curta. É esse o propósito das exibições que com o decorrer da semana, esperamos mais inovação e destaque.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Curta: O troco

Por Luiza Assis

"Espero que todos gostem, deem muitas risadas e se divirtam muito". Com essa curta e simples aparição, o produtor de O troco, aplaudido, desceu do palco. Confesso que esperava apenas mais um filme ‘engraçadinho’, até mesmo pela temática que apresentava: o telemarketing, que já virou piada no Brasil. Mas fui surpreendida. Com um roteiro ágil e inteligente, o filme mostra que não é preciso ter grandes investimentos pra fazer um trabalho de qualidade.

O curta traz a história de um casal que recebe a ligação de uma operadora de telemarketing e resolve ‘dar o troco’, fazendo 'o feitiço virar contra o feiticeiro'.

A fotografia é simples, são apenas dois cenários e três atores, que se encaixaram perfeitamente nos seus respectivos papéis. Com esse plano de poucos luxos, o curta foi o mais aplaudido da noite.

O filme paulista fez parte da noite que abriu ‘com chave de ouro’ o Cine PE Festival do Audiovisual, e fica a torcida para que a semana mantenha o mesmo nível dos filmes apresentados na abertura.