A noite da quinta-feira do 13° Cine PE, foi com certeza a de maior público durante o decorrer da semana e de melhor qualidade visual quanto aos curtas e longas apresentados.
Por uma falta de organização, o festival atrasou na programação e deu início em torno das 20h. Logo tivemos a premiação ao homenageado da noite, o cineasta Roberto Farias.
Roberto sempre teve em sua vida uma paixão pela sétima arte. Trilhou em seu caminho cerca de 10 filmes como assistente de direção e produção até estrear como diretor em 1957, com o Rico Ri à Toa. Mas sua “fama” aconteceu ao filmar a trilogia de filmes com Roberto Carlos: Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1968), Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-Rosa (1970) e Roberto Carlos a
Durante a premiação, Roberto Farias comentou o valor do cinema brasileiro e de todos os cineastas que acendem essa qualidade, dentre eles, Glauber Rocha e Luís Carlos Barreto, e também da importância que é receber o Troféu Calunga e do reconhecimento do Festival perante aos cineastas brasileiros. O prêmio foi entregue pelas mãos do cineasta Luís Carlos Barreto, homenageado pelo Cine PE no ano anterior.
Na Mostra Competitiva de Curtas Digitais e em 35MM, dentre os 5 apresentados, o “Os Sapatos de Aristeu” (Luiz René Guerra – SP), o “SuperBarroco” (Renata Pinheiro – PE) e o “Nós Somos um Poema” (Sergio Sbragia e Beth Formaggini – RJ), se destacaram por uma qualidade completa (fotografia, temática, produção, elenco) que estava realmente faltando no festival.
Os Sapatos de Aristeu, já apresentado no Festival Janela Internacional de Cinema do Recife, é de grande sensibilidade de construção visual. Todo em preto e branco, o curta retrata uma situação de debate, como a sexualidade e a morte. Ainda mais, juntas. Porém, com um misto de simplicidade, perdão, família e sociedade. Contudo, nos leva a uma reflexão na qual até que certo ponto, aceitamos as diferenças e os preconceitos de ter que viver uma “vida feliz” longe do local familiar. Por meio de um sapato, o ato simbólico de sua opção sexual, Aristeu foi enterrado juntamente a um terno, quebrando dogmas e conceitos herdados.
SuperBarroco, quebra a trilha do desejo e entra em forma de sonho. Um jogo de projeções, cores, imaginação, sentimento. A cada sequência do curta, ideias vão surgindo. A narrativa é pequena, mas a expressão é enorme. Caminho de solidão, um corpo presente se torna ausente. Extremos que se encontram da forma mais barroca do curta-metragem contemporâneo.
Que essa pérola chegue ao Festival de Cannes!
Nós somos um poema, é o documentário de encaixe perfeito da história da Música Popular Brasileira. O encontro de Vinícius de Moraes e Pixinguinha para compor a trilha sonora do filme de Alex Viany, Sol sobre a Lama (1963). Depoimentos, imagens de arquivo, com participações de convidados ilustres e versões de plenitude sonora de Elza Soares, Céu, Jards Macalé e entre outros.
Muito delicada a quarta noite do Cine PE. Que assim seja para melhor!



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