O primeiro longa-metragem a ser exibido na noite de ontem, no Cine-PE, foi Alô, alô, Teresinha!, um documentário dirigido pelo jornalista, produtor e diretor de televisão, Nelson Hoineff, que tem estreia comercial prevista para o fim do ano.
O filme, a princípio, fala sobre a obra de Abelardo Barbosa, o famoso Chacrinha. Contudo, talvez até pelo próprio formato do vídeo, os depoimentos dominam a produção, e acabam conduzindo a trama aos dramas pessoais dos entrevistados, ao invés de tratarem das histórias do Chacrinha.
Mais de 25 chacretes foram contatadas, e logo encheram a tela com os desmazelos trazidos pelo passar do tempo. Sem os corpos esculturais e a fama de antigamente, que lhes rendiam várias propostas por parte do sexo masculino (como o filme faz questão de deixar claro ao trazer falas do tipo “fulano ‘comeu’ cicrana”), as chacretes traçam um triste panorama do que é uma vida sem reservas, sem pudores. A única que parece ter “vingado” na “carreira artística” é Rita Cadillac, que ganha seu pão de cada dia permitindo que deem beijocas em seu bumbum malhado, uma vez que deixou de atuar em produções pornográficas.
Não é preciso procurar muito para encontrar outra expressão de humor negro no longa: as frustrações dos ex-calouros. Muitos deles ainda não superaram as buzinadas que levaram no programa, como é o caso de Manuel de Jesus, que ainda hoje jura, de pés juntos, que canta muito melhor que Roberto Carlos.
Esse tipo de tomada despertou no público levantes e mais levantes de gargalhadas. Por conta disso, é plausível afirmar que o filme foi muito bem recebido, ainda mais levando em conta que foi sua primeira exibição para o grande público. No entanto, mesmo sabendo que o riso nem sempre está relacionado a uma veia cômica, tais reações levam a pensar que o povo gosta mesmo é de rir da desgraça alheia.
Apesar disso, a obra tem momentos interessantes, como depoimentos de artistas, que vão desde a saudosa Dercy Gonçalves até o Russo, e da viúva do Abelardo. De acordo com Alceu Valença, “O chão de Chacrinha foi a cultura popular”. Ele está, em parte, certo. O programa do Chacrinha foi o primeiro a dar espaço ao movimento da Tropicália, e seu estilo “escrachado” sempre fez sucesso com o público. No entanto, haveremos de convir que jogar bacalhau para a plateia pode não ser a melhor forma de levar cultura à população.
Nelson Hoineff, que já esteve à frente de mais de 500 documentários, começará a gravar seu novo longa em duas semanas. Este contará a história de Cauby Peixoto, cantor brasileiro em atividade desde os anos 1940, e que é famoso pelo seu timbre de voz grave e aveludado e pelo seu estilo excêntrico. Esperemos que seja realmente o Cauby o protagonista da produção.
O filme, a princípio, fala sobre a obra de Abelardo Barbosa, o famoso Chacrinha. Contudo, talvez até pelo próprio formato do vídeo, os depoimentos dominam a produção, e acabam conduzindo a trama aos dramas pessoais dos entrevistados, ao invés de tratarem das histórias do Chacrinha.
Mais de 25 chacretes foram contatadas, e logo encheram a tela com os desmazelos trazidos pelo passar do tempo. Sem os corpos esculturais e a fama de antigamente, que lhes rendiam várias propostas por parte do sexo masculino (como o filme faz questão de deixar claro ao trazer falas do tipo “fulano ‘comeu’ cicrana”), as chacretes traçam um triste panorama do que é uma vida sem reservas, sem pudores. A única que parece ter “vingado” na “carreira artística” é Rita Cadillac, que ganha seu pão de cada dia permitindo que deem beijocas em seu bumbum malhado, uma vez que deixou de atuar em produções pornográficas.
Não é preciso procurar muito para encontrar outra expressão de humor negro no longa: as frustrações dos ex-calouros. Muitos deles ainda não superaram as buzinadas que levaram no programa, como é o caso de Manuel de Jesus, que ainda hoje jura, de pés juntos, que canta muito melhor que Roberto Carlos.
Esse tipo de tomada despertou no público levantes e mais levantes de gargalhadas. Por conta disso, é plausível afirmar que o filme foi muito bem recebido, ainda mais levando em conta que foi sua primeira exibição para o grande público. No entanto, mesmo sabendo que o riso nem sempre está relacionado a uma veia cômica, tais reações levam a pensar que o povo gosta mesmo é de rir da desgraça alheia.
Apesar disso, a obra tem momentos interessantes, como depoimentos de artistas, que vão desde a saudosa Dercy Gonçalves até o Russo, e da viúva do Abelardo. De acordo com Alceu Valença, “O chão de Chacrinha foi a cultura popular”. Ele está, em parte, certo. O programa do Chacrinha foi o primeiro a dar espaço ao movimento da Tropicália, e seu estilo “escrachado” sempre fez sucesso com o público. No entanto, haveremos de convir que jogar bacalhau para a plateia pode não ser a melhor forma de levar cultura à população.
Nelson Hoineff, que já esteve à frente de mais de 500 documentários, começará a gravar seu novo longa em duas semanas. Este contará a história de Cauby Peixoto, cantor brasileiro em atividade desde os anos 1940, e que é famoso pelo seu timbre de voz grave e aveludado e pelo seu estilo excêntrico. Esperemos que seja realmente o Cauby o protagonista da produção.
