segunda-feira, 30 de março de 2009

REVEZES APRESENTA



Clique na foto para maior resolução
Mais informações: cinerevezes@hotmail.com

domingo, 29 de março de 2009

O amor nos tempos do cólera

Por Aline Fontelli

O amor pode estar em qualquer lugar. Há três milhas de distância ou em letras desenhadas nas cartas de solidão que atormentam...

Na pele do denso Florentino Ariza, Javier Bardem descarrega a nostalgia de um amor impossível. Mas sem aquele tom depressivo, que deixaria qualquer personagem morrer chato. Até arrisco-me a dizer que, apesar de linda a adaptação, o filme cresce muito quando o ator entra em cena. Um caricato típico dele. Espesso, apaixonante e febril.

Ao contar
os anos que se passam lentamente pelas rugas da sua amada, Florentino envelhece mais forte do que quando era na sua juventude, onde sabia da impossibilidade do seu amor. A sensação de vida é latente em um sentimento que não desmonta a cada abandono, do contrário, só o dá forças.

Atriz consagrada e com cacife para encarar produções estrangeiras,
Fernanda Montenegro não precisa de comentários. Na pele de Tránsito Ariza, uma velha sofrida, mãe de Florentino, ao mesmo tempo em que enlouquece, luta para ver o seu único filho feliz e livre de um amor que, por mais que não aparente, o deixa sofrer.

Giovanna Mezzogiorno (Fermina Daza) é um tanto irritante, talvez pela indecisão constante de sua personagem, ou por não combinar como par romântico do rústico Javier. Detalhe que até passa despercebido no filme, diante da atuação do ator, que, na minha opinião, é um dos melhores da atualidade.


Entre centenas de amantes, onde nenhuma consegue tocar o seu coração, Florentino não se esforça para esquecer a mulher que não o quer. Então, como entender um coração que nutre um sentimento desde o primeiro olhar até a ultima loucura? Até as últimas cartas...

Baseado na obra de Gabriel García Márquez, do começo ao fim, Mikel Newell conseguiu dar ao filme o mesmo tom literário que o escritor deu à obra... aquela sensação de não querer fechar a última página do livro.


Sem idéias para explicar tamanha fragilidade, as palavras do sonoro poeta Floretino fazem do filme mais do que uma história de amor, é um enlevo... Melhor do que o drama comum, é um drama com um trágico final feliz.


Ficha técnica:

Título Original:
Love in the time of cholera

Direção:
Mike Newell

Elenco:
Javier Bardem, Fernanda Montenegro, Giovanna Mezzogiorno, Benjamin Bratt, Catalina Sandino Moreno

Ano de lançamento: 2007
Duração:
138 minutos


- Veja trailer

sábado, 28 de março de 2009

Os 7 suspeitos

Por Otávio Portugal

Toda vez que jogava detetive, levava horas e horas para descobrir o suspeito. Nunca desconfiava da bela Senhorita Rosa e quase sempre ela era a assassina. O filme The Clue ( Os 7 suspeitos) é baseado nesse jogo de tabuleiro e você tem a solução para os crimes, com três possíveis finais, em apenas 1h30. Imaginem se fizessem um longa-metragem baseado em War ou banco imobiliário, seria melhor ainda. A história segue uma linha parecida com a de Hitchcock, mas envereda pelo caminho da comédia. Os personagens, as armas, as passagens secretas e os aposentos do jogo, compõem a divertida trama do filme.


Direção: Jonathan Lynn
Elenco: Eileen Brennan, Tim Curry, Madeline Kahn, Christopher Lloyd, Michael McKean, Martin Mull e Lesley Ann Warren
Ano:1985
Gênero: Comédia
Duração: 96 min

sexta-feira, 27 de março de 2009

Marjane Satrapi e Iggy Pop trocam figurinhas


Por Luiz Manghi

Em 2007 Iggy Pop seria convidado para mais uma participação no cinema, dessa vez fazendo a dublagem de um dos personagens do filme de animação Persépolis (Marjane Satrapi, 2007). A própria Satrapi foi que convidou o rockeiro porra-louca pra dublar e ele aceitou. A aproximação de Iggy Pop com o cinema vem desde a sua participação em Sid e Nancy - O Amor Mata (Alex Cox, 1986).


No próximo 18 de maio Iggy Pop irá lançar mais um cd separado de sua banda, The Stooges. Dessa vez Pop investe no jazz estilo Louis Armstrong. Para os ufanistas de plantão, vai rolar até uma versão para Insensatez, de Tom Jobim. Aí, quem Pop convidou pra ficar responsável pela parte gráfica do disco? Isso, Marjane Satrapi. Adoro essas interações rock - cinema. Ainda espero escrever algum textinho só sobre isso por aqui.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Quarenta anos do Woodstock e o presente é cinematográfico

Por Luiz Manghi


Este ano o Festival de Woodstock completa quarenta verões e os cinéfilos, e os rockeiros também, é que recebem os presentes. Ang Lee lançará, ainda este semestre, o filme Taking Woodstock e ainda será feita uma reedição do filme Woodstock: 3 Days of Peace and Music (Michael Wadleigh, 1970).

Pois bem, mais uma incursão de Ang Lee no cinema e pela terceira vez o homossexualismo será abordado em um de seus filmes. É um Bono Vox das causas de gênero e em versão diretor de cinema. Lee já estreou como diretor abordando a causa gay.
O Banquete de Casamento (1993) conta a história de um adolescente taiwanês que vive nos EUA e esconde dos pais a homossexualidade. Daí seguiu na mesma linha com o aclamado O Segredo de Brokeback Mountain (2005) e agora fez Taking Woodstock.

A história do novo longa metragem de Lee é baseada no romance biográfico de Elliot Tiber, um designer de interiores gay, herdeiro de um hotel no campo que se vê na obrigação de administrar o negócio dos pais, contra a própria vontade. Ao saber do show que iria acontecer bem ao lado de seu hotel, e de se interessar por toda aquela história de amor livre, Tiber decide ajudar na organização e alojar boa parte dos músicos e organizadores do festival em seu hotel.

E como eu já havia avisado, os rockeiros de plantão também recebem presente! A reedição de
Woodstock: 3 Days of Peace and Music terá quarto horas de duração e a inclusão de dezoito atuações inéditas, entre elas: Creedence Clearwater Revival, The Grateful Dead, The Paul Butterfield Blues Band, Mountain e Johnny Winter.

-
Veja o trailer de Taking Woodstock aqui

terça-feira, 24 de março de 2009

Ele não está tão a fim de você

Por Laís Sampaio

Chico Buarque já fez uma música que dizia mais ou menos assim: "Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo que amava Juca que amava Dora que amava Carlos que amava Dora que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha". Todos amavam todos que amavam ninguém.

É quase assim em Ele Não Está Tão a Fim de Você, baseado no best-seller "He's Just Not That Into You" escrito por Greg Behrendt e Liz Tuccilloque e estréia no circuito nacional próxima sexta-feira, dia 27. Só que aqui, os personagens têm outro nome e a época é totalmente diferente.

A comédia de Ken Kwapis, gira em torno do interior da mente masculina por uma visão que nenhuma mulher imagina. Por exemplo: Você está na festa, se encanta pelo homem mais charmoso, o clima acontece e vocês ficam. No dia seguinte ele te liga? Não! Desencane e pare de se enganar, ele não está afim de você. Foi assim que aconteceu com a romântica Gigi (Ginnifer Goodwin). Saiu com Connor (Kevin Connolly) e no dia seguinte ele não ligou. Ela resolve ir na casa dele "tomar satisfação" e conhece Alex (Justin Long), morador da casa de Connor e portador de uma verdadeira visão sobre o mundo da mente dos homens. Nesse meio tempo, Connor está namorando uma cantora chamada Anna (Scarlett Johansson), que gosta de Ben (Bradley Cooper), que é casado com Janine (Jennifer Connelly)...que trabalha com Gigi! Ah, além dessa quadrilha toda existe Beth (Jennifer Aniston), chefe de Janine e Gigi.

Um filme formado por estrelinhas de hollywood, com temática pop e romântica, Ele Não Está Tão a Fim de Você, vai ser mais um "água com açúcar americano". Mas não custa nada assistir, afinal, isso sempre acontece nas melhores sociedades do mundo. Seja Brasil, Japão, África; dias atuais, 20 anos atrás ou no futuro.
E para as meninas, uma dica: Contos de fadas acabaram nos filminhos da Disney e a realidade estar aí, na cara de vocês!

Elenco: Jennifer Aniston, Drew Barrymore, Ben Affleck, Scarlett Johansson, Jennifer Connelly, Justin Long, Kevin Connolly, Bradley Cooper
Direção: Ken Kwapis
Gênero: Comédia
Duração: 129 minutos
Estréia: 27 de março


Philip Seymour Hoffman: novo Brando?

Por Alexandre Cunha

É quase um consenso no meio cinematográfico: Marlon Brando, melhor ator da história do cinema. Vi cerca de 5 filmes do ator, número baixíssimo. Poucos, mas que me fizeram concordar com as opiniões sobre seu talento. O cara era sensacional. Mas Brando se estabeleceu como o grande ator do século por, entre outros motivos, selecionar muito bem seus projetos. Não só ele; todos os (realmente) bons atores que conquistaram espaço e credibilidade no meio hollywoodiano têm, acima de tudo, um relevante currículo.

Atualmente, diversos atores me chamam a atenção. Os oldboys - Pacino, Nicholson e cia - estão em fim de carreira. Dá medo constatar que Michael Corleone tá beirando os setenta anos. E, infelizmente, deixando a desejar em seus últimos filmes. Entre os imberbes, sempre destaco Ryan Gosling, talvez o melhor da geração 80. O canadense de 28 anos parece ter aprendido com os mais velhos a importância de, antes de tudo, construir uma carreira sólida. Toda essa introdução, porém, foi para alcançar o nome de um gordinho simpático, quarentão, que chegou pelas beiradas e hoje desponta como um dos grandes nomes na atuação contemporânea: Philip Seymour Hoffman.

Indiscutivelmente talentoso, Hoffman iniciou sua carreira "coadjuvantizando" diversas produções. Lembro que o vi pela primeira vez em Magnólia (1999, Paul Thomas Anderson) e já o achei brilhante. Sempre em "segundo plano", o nova iorquino foi se firmando, mesmo assim, no cenário mundial. Embriagado de Amor (2002, Paul Thomas Anderson), Dragão Vermelho (2002, Brett Ratner), A Última Noite (2002, Spike Lee) e Cold Mountain (2003, Anthony Minghella), entre outros, nos mostraram a aptidão de Hoffman. É então que no oscar de 2006, o Philip leva a estatueta de melhor ator - em sua primeira indicação - por sua esplêndida performance em Capote (2005, Bennett Miller). Um oscar, apesar do prestígio, traz consigo, muitas vezes, um certo descaso ao ator/atriz premiado(a). A preocupação em escolher o projeto certo parece se distanciar com a chegada da estatueta; nem que por pouco tempo. Hoffman calou minha boca e provou o contrário.

Após Capote, o ator penetrou em uma insubstituível escala de produções memoráveis. Interpretou, primeiramente, o vilão Owen Davian, na última parte da trilogia Missão Impossível (2006, J.J. Abrams). Em 2007, uma tríplice invejável: Em A Família Savage (de Tamara Jenkins), deu vida ao complexo e cômico Jon Savage. Mais tarde, em Antes que O Diabo Saiba que Você Está Morto (de Sidney Lumet), Hoffman interpreta, talvez, seu personagem mais sombrio; Andy Hanson. Ainda nesse ano, participou de Jogos do Poder (de Mike Nichols), que lhe rendeu, posteriormente, outra indicação ao oscar (dessa vez, coadjuvante). Os ainda inéditos por aqui Sinedóque, Nova Iorque e Dúvida foram aclamados mundialmente. Dúvida, indicado a cinco oscars (inclusive a terceira de Hoffman), traz o ator como um padre acusado de pedofilia. Em Sinedóque, ele vive um dramaturgo angustiado que tem problemas com as diversas mulheres de sua vida.

Agora eu pergunto: qual ator, atualmente, tem se mantido tão eficiente, em projetos tão relevantes, quanto Philip Seymour Hoffman? Edward Norton, um dos grandes, costuma escorregar e fazer baboseiras como O Ilusionista (2006, Neil Burger) e Força Policial (2008, Gavin O'Connor). Até o último vencedor do oscar, Sean Penn, desestabilizou sua ótima carreira participando de fracas produções como A Intérprete (2005, Sydney Pollack) e A Grande Ilusão (2006, Steven Zaillian). É Hoffman, portanto, o Marlon Brando do século XXI? Pergunta capciosa, injusta e, até certo ponto, inadequada. Ninguém substituirá ou ofuscará os trabalhos de Brando. Mas, ao analizar e comparar a estabilidade nos projetos, Philip Seymour Hoffman seria, hoje, o mais próximo ao mito. E, ladies and gentlemen, o gordo só tem 41 anos.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Tudo acontece em Elizabethtown

Por Aline Fontelli

Lembro que quando assisti Elizabethtown pela primeira vez, fiquei bastante tempo pensando que talvez, aquele tivesse sido o melhor filme que eu tinha visto nos últimos tempos (um exagero é claro, mas, com certeza, ele está entre os melhores).

Não esteticamente (apesar da lindíssima fotografia), mas tem sempre um filme que no drama, te pega. Talvez pela proximidade com a realidade...


Cameron Crowe acertou no roteiro!

Não contei quantas vezes já vi o filme, mas em todas elas, tive as mesmas impressões.


Num universo perfeito, o filme une os dramas do trabalho, da família e dos relacionamentos (coisa não tão comum de se ver na telona, onde geralmente as histórias são contadas bem unilateralmente).

Tudo acontece em Elizabethtown tem um clima bacana de rock and roll e romance. Dá saudades lembrar do quanto é gostoso ficar horas ao telefone, pagar micos e faz a gente perceber que mesmo que cheguemos um dia no ponto de ebulição dos nossos problemas, sempre tem algo que pode ser muito pior... ou melhor!


Kirsten Dunst dá cor à personagem Claire Calburn, que ajuda Drew Baylor (Orlando Bloom) a descobrir que o amor pode ter diferentes planos de vôo e que mesmo que façamos de tudo para nos distanciar dele, ele pode ser o nosso próximo ponto de embarque.

A trilha sonora, que inclui
Lynyrd Skynyrd (uma das partes mais bacanas do filme, por sinal), Elton John e Ryan Adams, combina perfeitamente com o ambiente encantador que Crowe cria e muito bem (uma característica deste diretor, por sinal, ambientes discretos e intimistas).


Sem ser piegas, é o filme “brega” mais bonito da minha prateleira de filmes. É um filme que vicia, por contar histórias de vidas que em algum momento ali, vão parecer com as nossas. É um romance moderninho (que cabe em todos os sonhos), e acho que mesmo que eu assista mil vezes esse filme, vou ter sempre a mesma sensação estranha e absurda de encantamento.


Se você pretende fazer uma viagem... vale a dica!


Ficha técnica:

Título original:
Elizabethtown

Duração: 123 minutos
Direção: Cameron Crowe
Elenco:
Orlando Bloom, kirsten Dunst, Susan Sarandon, Alec Baldwin

Ano de lançamento:
2005


- Veja trailer.


Recomendo!

sábado, 21 de março de 2009

O Sabor da Cereja

Por Otávio Portugal

Até um tempo atrás achava os filmes Iranianos um verdadeiro pé-no-saco. Foram dias e dias de tormento para conseguir assistir um longa-metragem por inteiro. Um belo dia sento no sofá, no mesmo em que vi “Blue” (quem quiser leia a postagem da sexta anterior), me concentro e vejo com calma o filme “O Sabor da Cereja”, de Abbas Kiarostami. A história fala de um homem, chamado Baddi (Homayon Ershadi), que em uma Ranger Rover percorre todo o Teerão a procura de alguém para realizar um desejo seu, o ajudar a suicidar-se. Muito trágico, né? Mas enfim continuemos. Os felizardos que se deparam com essa situação são um soldado, um seminarista e por último um laboratorista. No diálogo com este último personagem é contada uma das piadas mais criativas do Irã (julgo eu):

Um turco chega no médico e reclama:

- Doutor eu toco em meu braço e ele dói, eu toco em minha cabeça e ela dói, eu toco em minha perna e ela dói, eu toco em minha barriga e ela dói, você poderia me examinar?

O médico:

-Hum, deixe-me ver!

Após a avaliação foi constatado que o turco estava com o dedo quebrado

O filme é excelente, os diálogos muito bem estruturados, uma lição de morte para quem almeja suicidar-se, não é à-toa que ganhou a Palma de Ouro em Cannes, no ano 1997.

Ficha técnica:

Título: O Sabor da Cereja
Duração: 95 min.
Ano de lançamento: 1997
Direção: Abbas Kiarostami
Elenco: Homayon Ershadi, Abdolrahman Bagheri,

Nota: 9,0

quinta-feira, 19 de março de 2009

Cineclube Coliseu retoma as atividades em grande estilo

Por Gabriela Alcântara

O Cineclube Coliseu, do Sesc de Casa Amarela, retoma as suas atividades em 2009 com a exibição, no último sábado desse mês, dia 28, com mostras ligadas ao Festival do Minuto entre 2007 e 2009, sendo elas: "Ser Nordestino", "Acabou a Gasolina", "Cidades" e "Internacional: 60 Minutos do Mundo". O cineclube selecionou os melhores trabalhos que foram realizados em torno destes temas, dentro do tempo-limite de 60 minutos, que é a marca do festival.

O cineasta Marcelo Masagão criou em 1991 o Minuto Brasil, primeiro Festival do Minuto do mundo, e que acabou por inspirar o surgimento de festivais semelhantes em mais de 50 países. Com 16 anos de existência, o festival já recebeu vídeos de diretores como Fernando Meirelles (Cidade de Deus, Ensaio sobre a cegueira), Tata Amaral (Um céu sem estrelas), Beto Brant (O Invasor, Cão sem dono) e Fernando Bonassi (roteiro de Desmundo). Ao todo, foram mais de 10 mil trabalhos recebidos, vindos de 40 países.

O Coliseu exibirá 145 destes trabalhos, sendo 25 da mostra “Ser Nordestino” e 28 vídeos de “Acabou a Gasolina”. Já “Internacional” trará 60 obras, enquanto “Cidades” vem com 32 curtas.

O Festival do Minuto deixou de ser um evento anual, e é agora realizado de forma permanente. Todo mês o melhor minuto ganha um prêmio, sendo o deste mês um celular Nokia para o tema livre, por exemplo, e os primeiros vídeos selecionados ganham DVDs. Os trabalhos são analisados por uma curadoria, e depois vão para o site: www.festivaldominuto.com.br.

As sessões do Cineclube Coliseu são gratuitas e acontecem no Cine Sesc, seguidas de bate papo com os realizadores pernambucanos. Abaixo, segue a programação e maiores informações.


Festival do Minuto - Cineclube Coliseu

14h - Internacional: 60 Minutos do Mundo
15h30 -
Ser Nordestino/Acabou a Gasolina/Cidades

O Cine Sesc fica na Av. Professor José dos Anjos, 1109, Casa Amarela. A entrada é pela Avenida Norte.

Mais Informações: 3267-4410/3267-4400/8818-3672/ rdourado@sescpe.com.br


Foto: "Enquanto isso..." da mostra, Acabou a Gasolina.

Mostra 2008 em Foco

Por Laís Sampaio

Do dia 20 ao dia 26 de março, a UCI Ribeiro do Shopping Recife exibe a Mostra 2008 em Foco. Sete películas que se destacaram dentre as melhores do ano passado, foram escolhidas por críticos de cinema daqui de Pernambuco e serão exibidas uma por dia, em sessão às 19hrs - exceto sábado e domingo, às 11hrs. Após a sessão, haverá um debate com o jornalista que escolheu o longa do dia, com a participação de convidados e do público presente.

Os debatedores serão: Fernando Vasconcelos (Kinemail), Julio Cavani (Diario de Pernambuco), Luiz Joaquim e Thiago Soares (Folha de Pernambuco), Rodrigo Carreiro (Cine Repórter), Bernardo Queiroz (Programa de Cinema/Rede Estação), Silvana Marpoara (Rádio JC/CBN e Programa de Cinema/Rede Estação) e Rafael Nogueira (Portal Cineflash).

Os ingressos estarão à venda na bilheteria do cinema e com preços distintos: sexta-feira, R$ 16; sábado e domingo R$ 11; segunda-feira, R$ 6; terça e quinta-feira, R$ 13; e quarta-feira, R$ 9, com meia-entrada todos os dias.


Confira a programação:

Sexta-feira (20) - 19h
Na noite de abertura do evento, Thiago Soares e Silvana Marpoara debatem Vicky Cristina Barcelona (Vicky Cristina Barcelona, EUA/ Espanha, 96 min), com direção de Woddy Allen. Fazem parte do elenco Javier Bardem, Scarlett Johansson, Rebecca Hall, Penélope Cruz. O longa gira em torno das duas amigas do título que, durante as férias, decidem passar três meses em Barcelona: Vicky é uma acadêmica cujo mestrado aborda a cultura catalã e que está noiva de um executivo de Nova York, ao passo que Cristina é uma jovem instável que ainda não descobriu sua verdadeira vocação ou mesmo o que busca no amor. Hospedadas na casa de uma parenta de Vicky, elas conhecem o pintor Juan Antonio (Bardem), cujo casamento com a também pintora Maria Elena (Cruz) chegou ao fim.



Sábado (21) - 11h
Será exibido Wall-e (Wall-e, EUA, 105 min), de Andrew Stanton, com comentários de Rodrigo Carreiro. Nono longa-metragem da Pixar, Wall-e é protagonizado por um robô que foi deixado no poluído planeta Terra, cerca de 700 anos no futuro, quando a Terra está infestada por poluentes. Por isso, os humanos vivem numa nave que percorre a atmosfera do planeta, a Axiom. O robozinho, que vive na Terra coletando lixo, se apaixona por uma robô de traço feminino enviado pela Axiom para sondar as condições do planeta.



Domingo (22) - 11h
É a vez de rever na telona O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, EUA, 142 min), de Christopher Nolan, o sétimo filme da grife Batman. Após dois anos desde o surgimento do Batman (Christian Bale), os criminosos de Gotham City têm muito que temer. Com a ajuda do tenente James Gordon (Gary Oldman) e do promotor público Harvey Dent (Aaron Eckhart), Batman luta contra o crime organizado. Acuados com o combate, os chefes do crime aceitam a proposta feita pelo Coringa (Heath Ledger) e o contratam para combater o Homem-Morcego. O debate ficará por conta de Bernardo Queiroz e Rafael Nogueira.



Segunda-feira (23) - 19h
No quarto dia de exibição Júlio Cavani discute Sangue Negro (There Will Be Blood, EUA , 158 min) , do diretor Paul Thomas Anderson. Na virada do século XIX para o século XX, na fronteira da Califórnia. Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) é um mineiro de minas de prata derrotado, que divide seu tempo com a tarefa de ser pai solteiro. Um dia ele descobre a existência de uma pequena cidade no oeste onde um mar de petróleo está transbordando do solo. Daniel decide partir para o local com seu filho, H.W. (Dillon Freasier). O nome da cidade é Little Boston, sendo que a única diversão do local é a igreja do carismático pastor Eli Sunday (Paul Dano). Daniel e H.W. se arriscam e logo encontram um poço de petróleo, que lhes traz riqueza mas também uma série de conflitos.



Terça- feira (24) - 19h
Luiz Joaquim e Rodrigo Carreiro falam sobre o quinto filme da mostra. O Nevoeiro (The Mist, EUA, 126 min), foi Dirigido por Frank Darabont. Depois que uma violenta tempestade devasta a cidade de Maine, David Drayton - um artista local - e seu filho de 8 anos correm para o mercado, antes que os suprimentos se esgotem. Porém, um estranho nevoeiro toma conta da cidade, deixando David e um grupo de pessoas presas no mercado - entre elas um cético forasteiro e uma fanática religiosa. David logo descobre que o nevoeiro esconde algo sobrenatural e que sair do mercado pode ser fatal. Mas conforme o grupo tenta desvendar o mistério, o caos se instala e fica evidente que as pessoas dentro do mercado podem tornar-se tão ameaçadoras quanto as criaturas do lado de fora. Baseado na obra de Stephen King.



Quarta-feira (25) - 19h
O debate dessa noite tem como tema Trovão Tropical (Tropic Thunder, EUA/Alemanha, 107 min), de Ben Stiller, guiado por Rodrigo Carreiro e Bernardo Queiroz. Cinco atores num set de filmagem enfrentam situações que eles jamais experimentaram antes. Enquanto rodam um filme sobre guerra de grande orçamento, são obrigados a se tornar de fato os soldados que interpretam na história. Black é Jeff "Fats" Portnoy, um comediante acima do peso forçado e abandonar as drogas no meio da floresta; Downey Jr. é Kirk Lazarus, o maior ator de sua geração e quatro vezes indicado para o Oscar; Baruchel é Kevin Sandusky, um ator desconhecido; e Stiller é Speedman, que pretende se tornar uma estrela.



Quinta-feira (26) - 19h
Na noite de encerramento da mostra, Senhores do Crime (Eastern Promises, EUA / Canadá / Inglaterra, 100 min) será debatido por Fernando Vasconcelos e Bernardo Queiroz. Anna (Naomi Watts) é uma parteira que trabalha em um hospital de Londres. Um dia ela testemunha a morte de uma jovem, durante um parto realizado em pleno Natal. Ela decide dar a notícia de seu falecimento pessoalmente, o que a faz pesquisar sobre sua identidade e família. A busca acaba colocando-a em contato com o lucrativo tráfico do sexo, comandado por uma organização criminosa da Rússia. Logo Anna conhece Nikolai (Viggo Mortensen), um homem violento e misterioso que é mais do que aparenta.



*Foto: Vicky Cristina Barcelona - Woddy Allen

Tim Roth: da telona para a telinha

Por Luiz Manghi

O Mr. Orange de Cães de Aluguel (Quentin Tarantino, 1992) e assaltante apaixonado em Pulp Fiction (Tarantino, 1994), Tim Roth, agora está atuando em uma série americana. Não sei, mas isso me soa como uma quedinha de moral no showbizz cinematográfico. Assim, não sou profundo conhecedor do vai-e-vem de atores de séries para o cinema, ou vice-versa, mas, em minha opinião, o fluxo mais digno seria da telinha para a telona. Fazendo uma analogia com terras brasileiras, seria como Antônio Fagundes atuando na temporada 2009 de Malhação, que todo mundo sabe que é um estágio para novos atores, e fim de carreira para os mais experientes.

A série em questão é Lie To Me, da Fox, onde Roth interpreta o personagem principal, doutor Cal Lightman, um especialista em análise de linguagem corporal que presta serviço ao governo americano. Ele seria uma máquina da verdade em pessoa, nem adianta forçar não desviar o olho pra cima-esquerda quando tiver falando com ele, que ele vai notar sua respiração inconstante. Roth ainda atuou em outros filmes bastante relevantes tipo as refilmagens de Violência Gratuita (Michael Haneke, 2007) e Planeta dos Macacos (Tim Burton, 2001), e ainda foi indicado ao Oscar e Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante em Rob Roy – A Saga de Uma Paixão (Michael Caton-Jones, 1995).

Lembro do caso de Wade Williams também, mas esse aí fica passeando, série, cinema, série, cinema, cinema...e não tem lá uma atuação muito memorável, em Ken Park (Larry Clark e Ed Lachman, 2002) ele está horrível. Posso está sendo exagerado, a Fox pode pagar bem o que for, a série ser das melhores já feitas no mercado americano, mas, para mim, isso é muito fim de carreira, Roth. Pelo menos é o personagem principal. Poderia ser pior.


Veja o vídeo promocional da série aqui

terça-feira, 17 de março de 2009

Os 12 trabalhos

Por Aline Fontelli

Héracles é um jovem da periferia de São Paulo que acaba de sair da Febem e tenta conseguir uma vaga de motoboy na empresa onde Jonas, seu primo, trabalha. Ele tem que cumprir doze entregas, que vão servir de testes para ele conseguir a vaga de emprego.

É óbvio que se ignora o entregador, o gari, o carteiro e tantas outras pessoas em seus "servicinhos mínimos", porque, de fato, as pessoas mal tem tempo para si mesmas. O ritmo estressante das metrópoles destrói o contato humano, e Ricardo Elias resgata essa percepção no longa.

Ganhador de 5 prêmios no CINE-PE - Festival do Audiovisual (Recife), entre eles o de melhor roteiro, a intenção do filme é bastante interessante.

Sendo uma adaptação moderna (bem moderna, pois não conta com Deuses ou forças dantescas) da história do herói grego Hércules (inclusive o nome do personagem principal, Héracles, remete ao nome do herói), a intenção de Elias consegue ser bem captada. Mostrar o cotidiano de uma classe de trabalhadores que sofre diversos preconceitos, mas que sabem usar do respeito entre si. Mesmo dentro de um universo competitivo, esses homens de roupa preta que arrancam com todo o vapor com suas motos, existe um ponto que eles sabem ser crucial: a união.

Não é genial, mas, Os 12 trabalhos, traz uma ótica de histórias que passam bastante apressadas ao nosso lado, todos os dias. Quase nunca se pensa em quantas vidas são vistas apenas como "coisas" mecânicas que tem que cumprir ordens e horários. E, na maioria, só se sabe mesmo é reclamar dos cinco ou dez minutos de atraso desses "caras de moto", e até mesmo quando pontuais, quase nunca recebem um simples: obrigado!

Vale a pena conferir este filme, que é o segundo deste diretor. O anterior foi De Passagem, lançado em 2003.


Ficha técnica:

Direção: Ricardo Elias
Duração: 90 minutos
Elenco: Flávio Bauraqui, Sidney Santiago, Vera Mancini, Vanessa Giácomo, Cynthia Falabella, lucinha Lins, Eduardo Mancini
Ano: 2007

- Veja trailer.

Nota: 8,0

segunda-feira, 16 de março de 2009

Produções pernambucanas no Cine PE

Por Elizabete Tavares


O Cine PE Festival do Audiovisual, que será realizado entre os dias 27 de abril e 3 de maio, no Centro de Convenções, divulgou na última quarta-feira, 11 de março, a seleção dos curtas que irão disputar o Troféu Calunga 2009. Foram 500 títulos inscritos e 34 obras selecionadas, entre as quais 6 são produções pernambucanas, sendo três em 35mm e três digitais.

Na categoria 35 mm estão Nº 27, de Marcelo Lordello, que mostra a angústia de um adolescente que passa por um constrangimento moral; Superbarroco, de Renata Pinheiro, traz a ornamentação na ruína, o escuro no claro, o silêncio na voz, o imóvel na ação; Muro, de Tião, ambientado no interior de Pernambuco e vencedor do prêmio Olhar Novo da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2008.

Eiffel, de Luiz Joaquim, que sugere uma crônica musico-visual sobre Recife; Abril pro Rock-Fora do Eixo, de Everson Teixeira, Ricardo Almoêdo e Júlio Neto, que faz um balanço dos 16 anos de um dos primeiros festivais independentes do Brasil; Um artilheiro no meu coração, de Diego Trajano, Lucas Fittipaldi e Mellyna Reis que retrata a carreira do pernambucano Ademir Marques de Menezes, craque que brilhou nas décadas de 40 e 50, são os curtas digitais.

Este ano novamente devido a grande quantidade de curtas pernambucanos inscritos no festival e também ao sucesso da edição anterior, acontecerá em paralelo a programação oficial, a Mostra Pernambucana, contemplando as produções locais nos dias 25 e 26 de abril, no Cinema da Fundação, Derby.


Curtas em 35 mm

Nº 27 (PE), ficção

Duração: 19’
Produção: Lívia de Melo
Direção: Marcelo Lordello
Roteiro: Marcelo Lordello
Fotografia: Roberto Iuri
Direção de Arte : Alberto Lins e Yana Parente
Som: Gera
Montagem: Marcelo Lordello
Trilha Sonora: Lucas Alencar

Superbarroco (PE), ficção

Duração: 16’
Produção: Dedete Parentes
Direção: Renata Pinheiro
Roteiro: Sergio Oliveira e Renata Pinheiro
Fotografia: Pedro Urano
Direção de Arte: Dani Vilela e Karen Araújo
Som: João Maria
Montagem: João Maria
Trilha Sonora: Score Música – Sergio Oliveira

Muro (PE), ficção

Duração: 18’
Produção: Lívia de Melo, Tathianne Quesado e Stella Zimmerman
Direção: Tião
Roteiro: Tião
Fotografia: Pedro Urano
Direção de Arte: Diogo Balbino, Rita Carelli, Leonardo Lacca
Som: Emilie Lesclaux, Kleber Mendonça Filho
Montagem: João Maria


Curtas Digitais

Eiffel (PE), documentário

Duração: 02’ 51’’
Produção: Símio Filmes
Direção: Luiz Joaquim
Roteiro: Luiz Joaquim
Montagem: Daniel Bandeira

Abril pro Rock–Fora do Eixo (PE), documentário

Produção: Everson Teixeira e Ricardo Almoêdo
Direção: Everson Teixeira, Ricardo Almoêdo e Júlio Neto
Roteiro: Everson Teixeira, Ricardo Almoêdo e Júlio Neto
Montagem: Ricardo Almoêdo e Júlio Neto

Um artilheiro no meu coração (PE), documentário

Duração: 20’
Produção: Diego Trajano, Lucas Fitipaldi e Mellyna Reis
Direção: Diego Trajano, Lucas Fitipaldi e Mellyna Reis
Roteiro: Diego Trajano, Lucas Fitipaldi e Mellyna Reis
Montagem: Ricardo Victor e Léo Alfinete

- Site oficial do festival

domingo, 15 de março de 2009

Anti-Herói Americano

Por Alexandre Cunha


A metalinguagem é um
artifício constantemente utilizado nas narrativas cinematográficas. Desde clássicos fellinianos - por exemplo - a produções mais recentes (Adaptação, de Spike Jonze, é, talvez, meu favorito). O "filme dentro do filme" é, se bem manejado, um eficaz instrumento na elaboração e na prática da sétima arte. Por achar prazeroso ter a oportunidade de conhecer e entender um pouco mais sobre o fazer cinema, obras metalinguistícas sempre me atraem.

Adaptado a partir da série de quadrinhos American Splendor, Anti-Herói Americano retrata a vida e obra de Harvey Pekar (Paul Giamatti), autor das publicações acima citadas. Harvey trabalhava como arquivista em um hospital. Quando conheceu Robert Crumb (James Urbaniak), amante e escritor de graphic novels, percebeu a necessidade de criar suas próprias histórias. Mas, diferenciando-se dos demais, Harvey pôs nos gibis histórias de seu dia a dia em sociedade. Histórias sobre suas angústias, alegrias, frustrações. Diálogos e personagens reais que o autor reproduziu em diversos quadrinhos (ilustrados por outros artistas, já que Harvey, como o mesmo afirma, não consegue desenhar uma linha reta), cujo sucesso resultou em idas ao Late Night, de David Letterman. Apesar da maior visibilidade, Harvey permaneceu no underground literário, o que desencadeou inúmeros acontecimentos que são magistralmente "lidos" nesse filme.

Lidos por que todo o filme é contado "em forma" de gibi. Cenas com títulos, as figuras interagindo com os atores; todo o universo ilustrado nas obras de Harvey é trazido fielmente às telas. A narração em off, feita pelo Harvey real, é totalmente adequada (se ele conta suas histórias nos gibis, por que não contar suas histórias em seu filme?) e pode ser vista, também, como uma crítica aos que desprezam a presença da voz "guia". Ver, no filme, as pessoas que originaram aqueles personagens é algo interessantíssimo. A cena em que os reais Toby e Harvey conversam, enquanto os atores que os interpretam ficam em segundo plano, está impecável. Shari Springer Berman e Robert Pulcini dividem a direção - e o roteiro - com plena segurança e criatividade. É clara, mas sutil, a opinião dos diretores na fala de uma antiga colega de faculdade de Harvey, quando a mesma, comentando sobre um livro, diz que a obra "não tem aquele final feliz de Hollywood. Mas é verdadeiro, o que é raro hoje em dia".

As atuações extraídas do elenco são igualmente aplaudíveis. Paul Giamatti está sensacional como Harvey. As cenas em que o personagem aparece com a voz comprometida demonstram a capacidade cômica da ator - que também brilha nos momentos dramáticos. Hope Davis retrata otimamente a esposa de Harvey, Joyce Brabner, e Judah Friedlander faz o público rir interpretando o nerd assumido Toby Radloff, amigo do autor. A disponibilidade dos verdadeiros personagens também é digna de mérito; nem todos exporiam suas vidas como eles fizeram.

Um filme que exala metalinguagem, nos fazendo refletir sobre o próprio cinema e, fundamentalmente, sobre o viver, sobre as pessoas, sobre o filme dentro da vida de cada um e suas direções, roteiros e montagens. Uso, aqui, as palavras de Charlie Kauffman em Sinedóque, Nova York: "Há milhões de pessoas no mundo. E nenhuma delas são figurantes. Todas são protagonistas de suas próprias histórias". Apesar de a mídia enaltecer, por razões óbvias, o american way of life, minha (nossa) vida, simples e sem flashes, é, sim, tão importante quanto a do mendigo da esquina e a da modelo do ano. Posso não ter a atenção social recebida pela modelo, mas é a partir da minha vida "despercebida" que evoluirei como humano. E é nessa despercepção que amamos, choramos e rodamos, diariamente, nossa autobiografia.


Título Original: American Splendor
Direção e Roteiro: Shari Springer Berman e Robert Pulcini
Elenco: Paul Giamatti, Hope Davis, Judah Friedlander, James Urbaniak, Earl Billigns
Ano: 2003
Duração: 101 minutos


sábado, 14 de março de 2009

REVEZES APRESENTA


Clique na foto para maior resolução

Mais informações: cinerevezes@hotmail.com

sexta-feira, 13 de março de 2009

"Coloco um delphinium azul, sobre sua tumba" Derek Jarman

Por Otávio Portugal

Quando coloquei o filme no aparelho de DVD, achava que tinha algo errado porque a tela sempre estava azul. Rebobinava, avançava e nada. Mas logo me surgiu uma idéia brilhante, ler a sinopse do filme. Foi aí que percebi se tratar de um filme experimental, em tela monocromática e narração em quatro vozes. Um aidético em estado terminal deitado na cama de um hospital, conta tudo o que acontece a sua volta. Sons de gotas de soro, de injeções, de carrinhos com rodas, de alucinações e devaneios narram o plano de fundo. O diretor, do telão azul mais demorado do mundo, Derek Jarman produziu o longa-metragem quando estava perto de morrer, por causa da aids. Blue foi a sua última obra e considerada a mais impactante.

  • Filme: Blue
  • Direção e Roteiro: Derek Jarman
  • Vozes: John Quentin, Nigel Terry, Tilda Swinton e Derek Jarma
  • Tempo: 74 min

quinta-feira, 12 de março de 2009

Sexta-feira 13 é dia de terror nos cinemas!

Por Gabriela Alcântara

Há 10 anos, uma tragédia marcou a pequena cidade de Harmony quando Tom Hanninger (Jensen Ackles), um minerador inexperiente, causou um acidente nos túneis que prendeu e matou cinco homens. O único sobrevivente foi Harry Warden, que ficou em estado de coma. Porém, quando acordou um ano depois, exatamente no dia dos namorados, Harry queria vingança. Ele então assassinou brutalmente vinte e duas pessoas com uma picareta, e depois foi morto.

Dez anos após o acidente, Tom Hanninger volta à cidade exatamente no dia dos namorados, ainda assombrado pelas mortes que havia causado, e com a intenção de consertar o que fez. Mas à noite, algo de estranho acontece na pequena Harmony. Usando roupa e máscara de minerador, e armado com uma picareta, Harry Warden parece estar de volta, pronto para mais uma vingança.

É esse o cenário de Dia dos Namorados Macabro, antigo clássico de terror que volta agora em uma versão 3D e estréia amanhã nos cinemas. O original foi feito em 1981, no Canadá, e foi um sucesso na época, assim como seus contemporâneos Halloween e Sexta-feira 13. Aos olhos de quem nunca viu os clássicos de terror, o filme pode soar clichê, bobo, cheio das cenas clássicas do cinema de terror slasher. Porém, é divertidíssimo rir dos exageros e dos takes manjados. Além disso, a diversão deve ficar maior agora que "My Bloody Valentine" foi filmado em 3D, pois o espectador terá bons sustos, apesar de saber o que está por vir, como acontece em todo filme desse tipo.

Vale a pena arriscar assistir o filme como programa para essa sexta-feira, e se você morar em Recife, provavelmente valerá também uma pequena viagem ao Shopping Guararapes, para ter a diversão de levar sustos e rir dos exageros em 3D da película.


Ficha Técnica:

Direção: Patrick Lussier
Elenco: Jensen Ackles (um dos astros do seriado Supernatural), Jaime King, Kerr Smith, Tom Atkins, Marc Macaulay, Betsy Rue, Edi Gathegi, Kevin Tighe, Megan Boone, Joy de la Paz, Todd Farmer.
Duração: 91 min

quarta-feira, 11 de março de 2009

I Mostra de Cinema do CCB

Por Luiz Manghi


O Centro de Ciências Biológicas da UFPE (CCB) apresentará a I Mostra de Cinema do CCB entre os dias 16 e 20 de março, no Auditório do CCB, no campus da Universidade Federal de Pernambuco. O festival é uma realização da Agenda 21 do CCB.

A Agenda 21 é um documento aprovado na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992. A declaração firma um compromisso das nações com um padrão de desenvolvimento onde predomine o equilíbrio ambiental e a justiça social.

Com esse mote serão apresentados filmes sobre consumismo, movimentos populares, direito das minorias, e até o clássico Hair (Milos Forman, 1979). E na quinta-feira (19) ainda haverá uma feira de troca, das 14h às 16h.

- Veja a programação completa do festival aqui

Palavra (En)cantada

Por Laís Sampaio

Dois anos depois de muita pesquisa e filmagem de entrevistas, chega em circulação nacional nesta sexta-feira 13, o documentário Palavra (En)cantada, de Helena Solberg e Márcio Debellian. O longa teve como ponto de partida um conceito de relacionar a música e a poesia na evolução da MPB, com um roteiro construído por uma narrativa de depoimentos, performances musicais e uma rica trilha sonora, chegando a ganhar o prêmio de "Melhor direção de longa-metragem documentário" do Festival do Rio, 2008.

O encantamento começa logo na abertura do documentário. Adriana Calcanhoto entoa versos de Arnaut Daniel, numa referência aos trovadores provençais do século XII, que integravam a palavra e o som. Logo em seguida, Lenine faz um depoimento de reflexão sobre a formação cultural brasileira, com aspectos de fusão entre o erudito e o popular.

"Não tenho pretensão de ser chamado de poeta. Não sou poeta". Chico Buarque se isenta desta autoridade, instantes depois da afirmação do grande letrista Paulo César Pinheiro, quanto ao status no qual Chico faz parte. O próprio Chico Buarque ressalta o valor dos compositores sem formação literária, oriundos dos morros, como Cartola (1908 – 1980). Já Martinho da Vila, mostra uma visão crítica nos seus depoimentos sobre a violência das periferias, afirmando que ela diluiu a força poética, hoje traçada no funk e rap. Ao mesmo tempo, o rapper Ferréz, defende a vertente do rap e toda a valorização histórica: "O rap é a continuação do cordel". Levando em consideração a cultura nordestina, Arnaldo Antunes reverência os cantadores repentistas do nordeste, de uma forma singular e ousada.

Palavra (En)cantada é um documentário formado de raridades históricas. Apresenta imagens inéditas da encenação de "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Mello Neto (1920 – 1999), no Festival de Teatro Universitário de Nancy, na França, em 1966; restauração da gravação produzida nos anos 40, que mostra Dorival Caymmi cantando e tocando “O Mar” ao violão, canção essa escolhida pelo próprio como a mais representativa do conjunto de sua obra; depoimento histórico de Caetano Veloso no Festival Internacional da Canção, da Record, em 1967, onde ele fala de sua inspiração ao compor “Alegria, Alegria” e ressalta o uso da guitarra na música brasilieira; afirma o papel do Tropicalismo na ruptura das tradições e o uso da liberdade poética, usufruída até hoje pelos compositores.

O filme conta com a participação de Adriana Calcanhotto, Antônio Cícero, Arnaldo Antunes, BNegão, Chico Buarque, Ferréz, Jorge Mautner, José Celso Martinez Correa, José Miguel Wisnik, Lirinha (Cordel do Fogo Encantado), Lenine, Luiz Tatit, Maria Bethânia, Martinho da Vila, Paulo César Pinheiro, Tom Zé e Zélia Duncan.

É uma festa para os olhos e ouvidos, que percorre em uma viagem histórica da relação da música com a poesia, de forma envolvente e surpreendente. Como afirmou Adriana Calcanhotto: “Não vamos cair numa discussão infértil: se poesia é mais que letra de música, se letra de música é poesia... Eu acho a vida curta, não tenho tempo para esta questão.” Então, vamos aproveitar a vida para (en)cantar a todo momento!

Um filme de: Helena Solberg e Marcio Debellian
Direção: Helena Solberg
Duração: 86 min


Sexta-feira 13, em todos os cinemas do Brasil.